Palestra de Craig no Brasil em vídeo; Ainda: Youtube encerra conta oficial do Reasonable Faith

Posted by Snowball | Posted in Uncategorized | Posted on 30-04-2012

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Acima, a palestra que Craig deu na Universidade Mackenzie. Ao lado de dele, um tradutor para o português, o que deve permitir o entendimento de qualquer leitor do blog.

Além disso, uso esse post para registrar um outro acontecimento. Muitos de vocês devem lembrar do canal Dr. Craig Videos, que era basicamente a biblioteca mais completa de vídeos do filósofo mencionado na internet inteira.

Pois bem. O canal ‘DrCraigVideos’, recentemente, havia sido repassado para administração do Reasonable Faith, virando o canal oficial de WLC no Youtube.

Mas não por muito tempo.

O Youtube acaba de encerrar a conta ‘DrCraigVideos’. A justificativa oficial encontrada ao tentarmos acessar o canal é de que ou houve violação de direitos autorais ou violação de diretrizes da comunidade ‘Youtube’. Como todo material lá era do próprio William Lane Craig (além de estar lá há séculos), a hipótese de ‘violação de direitos autorais’ se apresenta, ao meu ver, como pouco provável. Sobra, assim, a violação de diretrizes da comunidade. Como são muitas horas diárias tendo upload no Youtube, os moderadores devem esperar que os usuários denunciem as violações. E aí entram os fatores ‘negativação em massa por neo-ateus’ + ‘politicamente correto’, que sabemos ter precedentes (por ex. http://teismo.net/quebrandoneoateismo/2011/05/23/totalitarismo-politicamente-correto-agora-tambm-no-youtube/).

Não afirmo que isso ocorreu, mas essa hipótese é, no mínimo plausível.

Seja lá como for, tendo isso acontecido ou não, dica: se acostume a viver em um mundo onde esse tipo de arbitrariedade contra religiosos tradicionais acontece com frequência.

Na pior das hipóteses, você está preparado para lidar com ela.

[PS.: Ultimamente, por questões de agenda, tenho feito mais comentários de notícias e fatos. A produção de material original argumentativo para o blog pode voltar em breve].

William Lane Craig no site da VEJA. Mais: vídeo do blog é citado por lá.

Posted by Snowball | Posted in Geral, Outros Autores | Posted on 06-04-2012

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“É possível acreditar em Deus usando a razão”, afirma William Lane Craig

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O filósofo e teólogo defende o cristianismo, a ressurreição de Jesus e a veracidade da Bíblia a partir de construção lógica e racional, e se destaca em debates com pensadores ateus

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Marco Túlio Pires, de Águas de Lindóia
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William Lane Craig: "Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos"

William Lane Craig: “Sem Deus, não é possível explicar a existência de valores e deveres morais objetivos” (Divulgação)

Quando o escritor britânico Christopher Hitchens, um dos maiores defensores do ateísmo, travou um longo debate nos Estados Unidos, em abril de 2009, com o filósofo e teólogo William Lane Craig sobre a existência de Deus, seus colegas ateus ficaram tensos. Momentos antes de subir ao palco, Hitchens — que morreu em dezembro de 2011. aos 62 anos — falou a jornalistas sobre a expectativa de enfrentar Craig.

“Posso dizer que meus colegas ateus o levam bem a sério”, disse. “Ele é considerado um adversário muito duro, rigoroso, culto e formidável”, continuou. “Normalmente as pessoas não me dizem ‘boa sorte’ ou ‘não nos decepcione’ antes de um debate — mas hoje, é o tipo de coisa que estão me dizendo”. Difícil saber se houve um vencedor do debate. O certo é que Craig se destaca pela elegância com que apresenta seus argumentos, mesmo quando submetido ao fogo cerrado.

O teólogo evangélico é considerado um dos maiores defensores da doutrina cristã na atualidade. Craig, que vive em Atlanta (EUA) com a esposa, sustenta que a existência de Deus e a ressurreição de Jesus, por exemplo, não são apenas questões de fé, mas passíveis de prova lógica e racional. Em seu currículo de debates estão o famoso químico e autor britânico Peter Atkins e o neurocientista americano Sam Harris (veja lista com vídeos legendados de Craig). Basta uma rápida procura no Youtube para encontrar uma vastidão de debates travados entre Craig e diversos estudiosos. Richard Dawkins, um dos maiores críticos do teísmo, ainda se recusa a discutir com Craig sobre a existência de Deus.

Em artigo publicado no jornal inglês The Guardian, Dawkins afirma que Craig faz apologia ao genocídio, por defender passagens da Bíblia que justificam a morte de homens, mulheres e crianças por meio de ordens divinas. “Vocês apertariam a mão de um homem que escreve esse tipo de coisa? Vocês compartilhariam o mesmo palco que ele? Eu não, eu me recuso”, escreveu. Na entrevista abaixo, Craig fala sobre o assunto.

Autor de diversos livros —  entre eles Em Guarda – Defenda a fé cristã com razão e precisão (Ed. Vida Nova), lançado no fim de 2011 no Brasil, — Craig é doutor em filosofia pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, e em teologia pela Universidade de Munique, Alemanha. O filósofo esteve no Brasil para o 8º Congresso de Teologia da Editora Vida Nova, em Águas de Lindóia, entre 13 e 16 de março. Durante o simpósio, Craig deu palestras e dedicou a última apresentação a atacar, ponto a ponto, os argumentos de Richard Dawkins sobre a inexistência de Deus.

Se Deus é bondade e justiça, por que ele não criou um universo perfeito onde todas as pessoas vivem felizes?

Acho que esse é o desejo de Deus. É o que a Bíblia ensina. O fato de que o desejo de Deus não é realizado implica que os seres humanos possuem livre-arbítrio. Não concordo com os teólogos que dizem que Deus determina quem é salvo ou não. Parece-me que os próprios humanos determinam isso. A única razão pela qual algumas pessoas não são salvas é porque elas próprias rejeitam livremente a vontade de Deus de salvá-las.
Alguns cientistas argumentam que o livre-arbítrio não existe. Se esse for o caso, as pessoas poderiam ser julgadas por Deus?

Não, elas não poderiam. Acredito que esses autores estão errados. É difícil entender como a concepção do determinismo pode ser racional. Se acreditarmos que tudo é determinado, então até a crença no determinismo foi determinada. Nesse contexto, não se chega a essa conclusão por reflexão racional. Ela seria tão natural e inevitável como um dente que nasce ou uma árvore que dá galhos. Penso que o determinismo, racionalmente, não passa de absurdo. Não é possível acreditar racionalmente nele. Portanto, a atitude racional é negá-lo e acreditar que existe o livre-arbítrio.

O senhor defende em seu site uma passagem do Velho Testamento em que Deus ordena a destruição da cidade de Canaã, inclusive autorizando o genocídio, argumentando que os inocentes mortos nesse massacre seriam salvos pela graça divina. Esse não é um argumento perigosamente próximo daqueles usados por terroristas motivados pela religião?

A teoria ética desses terroristas não está errada. Isso, contudo, não quer dizer que eles estão certos. O problema é a crença deles no deus errado. O verdadeiro Deus não ordena atos terroristas e, portanto, eles estariam cometendo uma atrocidade moral. Quero dizer que se Deus decide tirar a vida de uma pessoa inocente, especialmente uma criança, a Sua graça se estende a ela.

Se o terrorista é cristão o ato terrorista motivado pela religião é justificável, por ele acreditar no Deus ‘certo’?

Não é suficiente acreditar no deus certo. É preciso garantir que os comandos divinos estão sendo corretamente interpretados. Não acho que Deus dê esse tipo de comando hoje em dia. Os casos do Velho Testamento, como a conquista de Canaã, não representam a vontade normal de Deus.

O sr. está querendo dizer que Deus também está sujeito a variações de humor? Não é plausível esperar que pelo menos Ele seja consistente?

Penso que Deus pode fazer exceções aos comandos morais que dá. O principal exemplo no Velho Testamento é a ordem que ele dá a Abraão para sacrificar seu filho Isaque. Se Abraão tivesse feito isso por iniciativa própria, isso seria uma abominação. O deus do Velho Testamento condena o sacrifício infantil. Essa foi uma das razões que o levou a ordenar a destruição das nações pagãs ao redor de Israel. Elas estavam sacrificando crianças aos seus deuses. E, no entanto, Deus dá essa ordem extraordinária a Abraão: sacrificar o próprio filho Isaque. Isso serviu para verificar a obediência e fé dele. Mas isso é a exceção que prova a regra. Não é a forma normal com que Deus conduz os assuntos humanos. Mas porque Deus é Deus, Ele tem a possibilidade de abrir exceções em alguns casos extremos, como esse.

O sr. disse que não é suficiente ter o deus certo, é preciso fazer a interpretação correta dos comandos divinos. Como garantir que a sua interpretação é objetivamente correta?

As coisas que digo são baseadas no que Deus nos deu a conhecer sobre si mesmo e em preceitos registrados na Bíblia, que é a palavra d’Ele. Refiro-me a determinações sobre a vida humana, como “não matarás”. Deus condena o sacrifício de crianças, Seu desejo é que amemos uns ao outros. Essa é a Sua moral geral. Seria apenas em casos excepcionalmente extremos, como o de Abraão e Isaque, que Deus mudaria isso. Se eu achar que Deus me comandou a fazer algo que é contra o Seu desejo moral geral, revelado na escritura, o mais provável é que eu tenha entendido errado. Temos a revelação do desejo moral de Deus e é assim que devemos nos comportar.

O sr. deposita grande parte da sua argumentação no conteúdo da Bíblia. Contudo, ela foi escrita por homens em um período restrito, em uma área restrita do mundo, em uma língua restrita, para um grupo específico de pessoas. Que evidência se tem de que a Bíblia é a palavra de um ser sobrenatural?

A razão pela qual acreditamos na Bíblia e sua validade é porque acreditamos em Cristo. Ele considerava as escrituras hebraicas como a palavra de Deus. Seus ensinamentos são extensões do que é ensinado no Velho Testamento. Os ensinamentos de Jesus são direcionados à era da Igreja, que o sucederia. A questão, então, se torna a seguinte: temos boas razões para acreditar em Jesus? Ele é quem ele diz ser, a revelação de Deus? Acredito que sim. A ressurreição dos mortos, por exemplo, mostra que ele era quem afirmava.

Existem provas que confirmem a ressurreição de Jesus?

Temos boas bases históricas. A palavra ‘prova’ pode ser enganosa porque muitos a associam com matemática. Certamente, não temos prova matemática de qualquer coisa que tenha acontecido na história do homem. Não temos provas, nesse sentido, de que Júlio César foi assassinado no senado romano, por exemplo, mas temos boas bases históricas para isso. Meu argumento é que se você considera os documentos do Novo Testamento como fontes da história antiga, — como os historiadores gregos Tácito, Heródoto ou Tucídides — o evangelho aparece como uma fonte histórica muito confiável para a vida de Jesus de Nazaré. A maioria dos historiadores do Novo Testamento concorda com os fatos fundamentais que balizam a inferência sobre a ressurreição de Cristo. Coisas como a sua execução sob autoridade romana, a descoberta das tumbas vazias por um grupo de mulheres no domingo depois da crucificação e o relato de vários indivíduos e grupos sobre os aparecimentos de Jesus vivo após sua execução. Com isso, nos resta a seguinte pergunta: qual é a melhor explicação para essa sequência de acontecimentos? Penso que a melhor explicação é aquela que os discípulos originais deram — Deus fez Jesus renascer dos mortos. Não podemos falar de uma prova, mas podemos levantar boas bases históricas para dizer que a ressurreição é a melhor explicação para os fatos. E como temos boas razões para acreditar que Cristo era quem dizia ser, portanto temos boas razões para acreditar que seus ensinamentos eram verdade. Sendo assim, podemos ver que a Bíblia não foi criação contingente de um tempo, de um lugar e de certas pessoas, mas é a palavra de Deus para a humanidade.

O textos da Bíblia passaram por diversas revisões ao longo do tempo. Como podemos ter certeza de que as informações às quais temos acesso hoje são as mesmas escritas há 2.000 anos? Além disso, como lidar com o fato de que informações podem ser perdidas durante a tradução?

Você tem razão quanto a variedade de revisões e traduções. Por isso, é imperativo voltar às línguas originais nas quais esses textos foram escritos. Hoje, os críticos textuais comparam diferentes manuscritos antigos de modo a reconstruir o que os originais diziam. O Novo Testamento é o livro mais atestado da história antiga, seja em termos de manuscritos encontrados ou em termos de quão próximos eles estão da data original de escrita. Os textos já foram reconstruídos com 99% de precisão em relação aos originais. As incertezas que restam são trivialidades. Por exemplo, na Primeira Epístola de João, ele diz: “Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra”. Mas alguns manuscritos dizem: “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo se cumpra”. Não temos certeza se o texto original diz ‘vosso’ ou ‘nosso’. Isso ilustra como esse 1% de incerteza é trivial. Alguém que realmente queira entender os textos deverá aprender grego, a língua original em que o Novo Testamento foi escrito. Contudo, as pessoas também podem comprar diferentes traduções e compará-las para perceber como o texto se comporta em diferentes versões.

É possível explicar a existência de Deus apenas com a razão? Qual o papel da ciência na explicação das causas do universo?

A razão é muito mais ampla do que a ciência. A ciência é uma exploração do mundo físico e natural. A razão, por outro lado, inclui elementos como a lógica, a matemática, a metafísica, a ética, a psicologia e assim por diante. Parte da cegueira de cientistas naturalistas, como Richard Dawkins, é que eles são culpados de algo chamado ‘cientismo’. Como se a ciência fosse a única fonte da verdade. Não acho que podemos explicar Deus em sua plenitude, mas a razão é suficiente para justificar a conclusão de que um criador transcendente do universo existe e é a fonte absoluta de bondade moral.

Por que o cristianismo deveria ser mais importante do que outras religiões que ensinam as mesmas questões fundamentais, como o amor e a caridade?

As pessoas não entendem o que é o cristianismo. É por isso que alguns ficam tão ofendidos quando se prega que Jesus é a única forma de salvação. Elas pensam que ser cristão é seguir os ensinamentos éticos de Jesus, como amar ao próximo como a si mesmo. É claro que não é preciso acreditar em Jesus para se fazer isso. Isso não é o cristianismo. O evangelho diz que somos moralmente culpados perante Deus. Espiritualmente, somos separados d’Ele. É por isso que precisamos experimentar Seu perdão e graça. Para isso, é preciso ter um substituto que pague a pena dos nossos pecados. Jesus ofereceu a própria vida como sacrifício por nós. Ao aceitar o que ele fez em nosso nome, podemos ter o perdão de Deus e a limpeza moral. A partir disso, nossa relação com Deus pode ser restaurada. Isso evidencia por que acreditar em Cristo é tão importante. Repudiá-lo é rejeitar a graça de Deus e permanecer espiritualmente separado d’Ele. Se você morre nessa condição você ficará eternamente separado de Deus. Outras religiões não ensinam a mesma coisa.

A crença em Deus é necessária para trazer qualidade de vida e felicidade?

Penso que a crença em Deus ajuda, mas não é necessária. Ela pode lhe dar uma fundação para valores morais, propósito de vida e esperança para o futuro. Contudo, se você quiser viver inconsistentemente, é possível ser um ateu feliz, contanto que não se pense nas implicações do ateísmo. Em última análise, o ateísmo prega que não existem valores morais objetivos, que tudo é uma ilusão, que não há propósito e significado para a vida e que somos um subproduto do acaso.

Por que importa se acreditamos no deus do cristianismo ou na ‘mãe natureza’ se na prática as pessoas podem seguir, fundamentalmente, os mesmos ensinamentos?

Deveríamos acreditar em uma mentira se isso for bom para a sociedade? As pessoas devem acreditar em uma falsa teoria, só por causa dos benefícios sociais? Eu acho que não. Isso seria uma alucinação. Algumas pessoas passam a acreditar na religião por esse motivo. Já que a religião traz benefícios para a sociedade, mesmo que o indivíduo pense que ela não passa de um ‘conto de fadas’, ele passa a acreditar. Digo que não. Se você acha que a religião é um conto de fadas, não acredite. Mas se o cristianismo é a verdade — como penso que é — temos que acreditar nele independente das consequências. É o que as pessoas racionais fazem, elas acreditam na verdade. A  via contrária é o pragmatismo. “Isso Funciona?”, perguntam elas. “Não importa se é verdade, quero saber se funciona”. Não estou preocupado se na Suécia alguns são felizes sem acreditar em Deus ou se há alguma vantagem em acreditar n’Ele. Como filósofo, estou interessado no que é verdade e me parece que a existência desse ser transcendente que criou e projetou o universo, fonte dos valores morais, é a verdade.

Perfil

Nome: William Lane Craig
Profissão: Filósofo, teólogo e professor universitário na Universidade de Biola, Califórnia
Nascimento: 23 de agosto de 1949
Livros destacados: Apologética Contemporânea – A veracidade da Fé Cristã; Em Guarda, Defenda a fé cristã com razão e precisão; ambos publicados no Brasil pela editora Vida Nova
Principal contribuição para a filosofia: Craig foi responsável por reformular o Argumento Cosmológico Kalam (variação do argumento cosmológico que defende a existência de uma primeira causa para o universo) nos seguintes termos: 1) Tudo que começa a existir tem uma causa de existência. 2) O universo começou a existir. 3) Portanto, o universo tem uma causa para sua existência.
Informações pessoais: William Lane Craig é conhecido pelo trabalho na filosofia do tempo e na filosofia da religião, especificamente sobre a existência de Deus e na defesa do teísmo cristão. Escreveu e editou mais de 30 livros, é doutor em filosofia e teologia em universidades inglesa e alemã e desde 1996 é pesquisador e professor de filosofia na Universidade de Biola, na Califórnia. Atualmente vive em Atlanta, nos EUA, com a esposa. Craig pratica exercícios regularmente como forma de combater a APM (Atrofia Peronial Muscular) uma doença degenerativa do sistema nervoso que lhe causou atrofiamento dos nervos das mãos e pernas. Especialista em debates desde o ensino médio, o filósofo passa a maior parte do tempo estudando.

Vídeos:

1. Deus e o sofrimento no mundo

Se Deus existe, por que ele permite que exista sofrimento no mundo? Neste vídeo, Craig fala sobre o tema.

2. Argumentos para a existência de Deus

Craig fala sobre o que considera os melhores argumentos para a existência de Deus

3. O Universo tem um propósito?

Craig fala sobre um dos principais questionamentos da filosofia: o Universo tem um propósito?

4. O Argumento Cosmológico Kalam

Craig explica o Argumento Cosmológico Kalam, aperfeiçoado por ele.

5. Craig x Harris

Trecho de debate sobre moral com o ateísta Sam Harris, filósofo e neurocientista que acredita que a ciência pode substituir a religião como definidora do que é certo e errado.

Link para o original: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-possivel-acreditar-em-deus-usando-a-razao-afirma-william-lane-craig

Meus comentários

O objetivo do post não é comentar a entrevista de Craig, mas sim reforçar uma idéia já exposta aqui anteriormente (v. Porque considero a vinda de William Lane Craig ao Brasil animadora).

Mais uma vez vemos aí o reflexo do trabalho de informação e divulgação da filosofia teísta, conseguindo abrir espaços (e fico particularmente contente por ver um conteúdo produzido por mim linkado no site da VEJA).

E isso não se limita ao aumento da exposição de Craig. Hoje, por exemplo, já vejo pessoas próximas do meu círculo social (que eu nem tinha idéia que liam sobre o assunto), utilizando a expressão “neo-ateus” para se referir a ateus militantes agressivos.

Os frutos mais saborosos desse trabalho não devem ser colhidos imediatamente, mas talvez daqui uns 10 ou 20 anos (isso se eles vierem).

Mas, como dizia Burke, para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados.

E, nós, pelo menos, de braços cruzados não estamos.

Dinheiro e Estado “Laico” Para Neo-Ateus

Posted by Snowball | Posted in Geral | Posted on 06-04-2012

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Direto do Facebook: para acabar com as reclamações feita por neo-ateus de que a inscrição “Deus seja louvado” viola o Estado Laico, a Casa da Moeda está planejando lançar a seguinte nota como alternativa à nota de dois reais:

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Ok, essa foi apenas para descontrair. Se você sabe o autor da paródia, dê os créditos nos comentários para que eu possa fazer justiça a ele.

(UPDATE – Possível autor: Dono da página Anti-Ateísmo do Facebook. Dica a partir de Simone).

Anonymous ataca o site do Vaticano. Ou ainda: neo-ateísmo na prática

Posted by Snowball | Posted in Geral | Posted on 31-03-2012

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Anonymous assume autoria de 2º ataque em 5 dias contra site do Vaticano

Cidade do Vaticano, 12 mar (EFE).- Pela segunda vez em cinco dias o site do Vaticano (www.vatican.va) foi bloqueado e o grupo Anonymous assumiu a autoria do ataque, indicando com ironia que espera ‘ansiosamente’ que a Santa Sé o excomungue publicamente em ‘praça pública’.

Até o momento, o Vaticano não confirmou o ataque ao seu site. O Anonymous apontou em uma nota em seu blog italiano que novamente ‘bloqueou’ o site do Vaticano e afirmou, dirigindo-se à Santa Sé, que ‘o sistema de vocês é menos seguro do que imaginam’, além de assumir que atacou ‘o banco de dados’ do sistema da instituição.

O grupo acusa o Vaticano de usar ‘amplificadores com uma potência que supera os limites da lei’ para difundir a Rádio Vaticano ao mundo inteiro, o que, em sua opinião, expõe a população que tem ‘a infelicidade’ de viver perto desses dispositivos ‘a ondas eletromagnéticas de grande intensidade que causam graves doenças como a leucemia e outros tipos de câncer’.

O Anonymous acrescentou que ‘não vai tolerar essa situação’ e que continuará com seus ataques virtuais ao Vaticano. ‘Todos os que fazemos parte do Anonymous esperamos ansiosamente a excomunhão oficial em uma praça pública’, concluiu em sua mensagem.

No último dia 7, o grupo manteve bloqueado durante quase o dia inteiro o site da Santa Sé.

Em comunicado, o grupo alegou que o ataque era uma ‘resposta às doutrinas, liturgias e preceitos absurdos e anacrônicos que a Igreja Católica Apostólica Romana, propaga e divulga no mundo inteiro com fins lucrativos’.

O Anoymous acusou a Santa Sé de ser ‘responsável’ pela ‘escravidão de povos inteiros’, usando ‘como pretexto’ a difusão do evangelho e de ter ajudado criminosos nazistas, encobrir clérigos pedófilos, rejeitar ‘objetos frutos do progresso’ como os preservativos, além de tentar erradicar o aborto. EFE

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/anonymous-assume-autoria-de-2o-ataque-em-5-dias-contra-site-do-vaticano

Meus comentários

Por que o ataque feito pelo Anonymous ao Vaticano não me surpreende?

Simples.

O Anonymous é um grupo que pratica o “vandalismo pelo (suposto) bem”, caracterizando-se, por isso, como adeptos da mentalidade revolucionária (lembrando: para a mente revolucionária, conforme definida por Olavo de Carvalho, não há um parâmetro como o proveniente do senso comum para a ação moral, pois o estado do futuro justifica a priori qualquer atitude tomada contra os ‘inimigos’).

A mentalidade revolucionária, como o próprio nome já diz, é um fenômeno que se opõe ao pensamento conservador, que é tradicionalmente ligado à religião.

Como o neo-ateísmo não passa da fusão do ateísmo tradicional com parâmetros revolucionários (ver aqui), e o Anonymous é um grupo “revolucionário”, no sentido definido anteriormente, então é esperado que também se verifique o neo-ateísmo nesse grupo.

Se pessoas como Sam Harris defendem a intervenção militar em países islâmicos por motivos de “contra-ataque” à religião, a aplicação desse mesmo ideal em ataques virtuais a entidades religiosas é fichinha.

É por isso que digo: quando o assunto é baixaria praticada por um neo-ateu, ser surpreendido é estupidez.

E os casos práticos sempre confirmam isso.

Porque considero a vinda de William Lane Craig ao Brasil animadora

Posted by Snowball | Posted in Uncategorized | Posted on 12-03-2012

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William Lane Craig começa, a partir de hoje, uma série de palestras no Brasil (v. http://williamcraignobrasil.blogspot.com/).

Embora seja importante ouvir o que ele fala, o post de hoje não é focado no conteúdo das suas palavras. O ponto que quero destacar é outro.

Nós últimos tempos, posso ter parecido meio pessimista ou desconfortável com a situação da luta cultural contra o neo-ateísmo (chegando inclusive a fazer postagens como Junior Masters dá um (merecido) tapa na cara de alguns cristãos, onde dou apoio à decisão do vlogger do Submundo Intelectual de apontar o dedo na cara de certos religiosos). E embora realmente existam deficiências nesse ponto, eu preciso ser justo: assim, devo ELOGIAR quando vemos iniciativas que dão certo.

O que isso tem a ver com a vinda de Craig ao Brasil?

Simples.

Eu não tenho como comprovar, mas defendo uma tese que considero extremamente plausível: se William Lane Craig vem no nosso país dar várias palestras, com pompas de estrela, isso se deve em MUITO a divulgação feita por apologistas cristãos na Internet.

Vejamos: o site Apologia, o site do Eliel Vieira, o site Deus em Debate, o meu site, o site teismo.net, dentre tantos outros, passaram durante MUITO tempo traduzindo, disponibilizando e divulgando a obra e as idéias de Craig no Brasil.

Aí eu me pergunto: será que eliminando essa variável (ou seja, vamos fingir que essa divulgação nunca aconteceu) Craig ainda seria convidado para vir aqui com destaque especial?

Se sim, por que caras como J. P. Moreland não são os convidados ao invés de Craig? Ou mesmo outros filósofos cristãos de qualidade como Edward Feser?

A situação é clara: embora não seja possível provar cabalmente, a vinda de Craig ao Brasil simplesmente dá FORÇA (ou, ao menos, plausibilidade) à tese de que a atividade cultural via internet tem efeitos práticos e consegue gerar resultados.

Assim, reconheço o trabalho dessas pessoas (e tenho que me incluir aí também), e digo: estamos conseguindo gerar efeitos e conscientizar pessoas.

E se continuarmos, podemos melhorar ainda mais a situação. Claro que nada é perfeito, mas o “mal” intelectual triunfa, muitas vezes, pela inércia da prática do “bem” por parte de outros.

Não podemos desistir.

Principalmente depois de uma notícia tão animadora como a vinda de Craig.

Nota: Acho que eles não farão o papelão, mas não duvido que alguns leitores do Bule ou mesmo membros da ATEA possam ir protestar contra o “fanático religioso”, “homofóbico”, etc., Dr. Craig. Por isso, se você for cristão, admirar o trabalho dele e tiver disponibilidade, VÁ até lá dar um apoio. Não seria bom que logo na primeira visita dele ao país neo-ateístas militantes estraguem as boas-vindas.

Carnaval, Saramago e a Reforma do Código Penal: um exercício imaginativo

Posted by Snowball | Posted in Outros Autores | Posted on 11-03-2012

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“[...] bem triste há-de ser a gente sem outra finalidade na vida que a de fazer filhos sem saber porquê nem para quê. Para continuar a espécie, dizem aqueles que crêem num objectivo final, numa razão última, embora não tenham nenhuma ideia sobre quais sejam e que nunca se perguntaram em nome de quê terá a espécie de continuar como se fosse ela a única e derradeira esperança do universo“.
José Saramago, Caim, p. 37

Os planos de governo da sociedade nunca pouparam – antes têm como seu alvo preferencial – a família. O controle de natalidade através da legalização do aborto busca dar livre trânsito a dois grandes anseios dos engenheiros sociais de hoje:

1) retirar das relações sexuais sua consequência mais concreta – e, na sua visão, frequentemente indesejada: a concepção de um novo ser humano; e

2) controlar o crescimento da população mundial – para alguns organismos internacionais, bem conhecidos, controlar o crescimento da população
mundial pobre.

A vontade de gozar de todos os prazeres possíveis, em um eterno carnaval, sem nenhuma consequência – a que, com justiça, pode-se chamar irresponsabilidade – anima o primeiro anseio; a cosmovisão de José Saramago – ateu convicto, mal-humorado e adotado pela intelectualidade brasileira como uma espécie de oráculo ultramar –, o segundo.

Coroando toda a campanha abortista lá está ele, claro, reluzente: o ideal de liberdade – liberdade: essa palavra tão sedutora e capaz de tantas e tão contraditórias significações! A liberdade buscada, aqui, é de duas espécies: em primeiro lugar, a liberdade de manter o número de relações sexuais, inconsequentes, que melhor convier às pessoas – e, portanto, desde que se possa contornar as consequências através de uma fácil e rápida cirurgia; busca-se garantir o direito ao prazer sem ter de, em contrapartida, suportar o necessário dever de assumir o resultado – tudo com a chancela do Estado; em segundo lugar, a liberdade de viver em uma sociedade em que já não haja tanta miséria e tanta “gente sem outra finalidade na vida que a de fazer filhos sem saber porquê nem para quê”. O desejo de erradicar a miséria acaba muitas vezes se dando por satisfeito quando no final das contas consegue eliminar alguns miseráveis.

Para Saramago, é apenas triste que os pais não tenham consolidada no seio familiar uma metafísica da procriação. Para muitos de seus leitores, ter um grande número de filhos (hoje em dia, dois – por descuido – ainda são aceitáveis) não é apenas triste, mas prejudicial à sociedade e ao ideal de vida carnavalesca que o Estado, na sua visão, tem o dever de incrementar.

O Senado Federal brasileiro instituiu no final de 2011 uma comissão para reforma do Código Penal – que foi promulgado, por decreto-lei, em 1940. Carente de algumas reformas pontuais, nossa legislação penal há algum tempo pede uma dedicada atenção do Congresso Nacional. Essa comissão elaborará o texto da proposta de reforma da parte geral (que trata das condições gerais de configuração dos crimes e da aplicação das penas) e da parte especial do Código Penal (que institui as condutas específicas que são consideradas criminosas – os chamados tipos penais).

O primeiro grupo de modificações da parte especial já foi finalizado pela comissão; trata dos crimes contra a vida, que são alvo de importantes modificações. Além de permitir, em determinadas situações, a prática da eutanásia, o projeto reduz para seis meses a dois anos de detenção a pena para o aborto praticado pela gestante ou provocado por outrem com o seu consentimento (hoje a pena para tais crimes é de detenção de um a três anos e de reclusão de um a quatro anos, respectivamente). Tratar-se-á de crime sujeito ao juizado especial, ao lado de outros como ameaça, desacato e lesões corporais simples. Além disso, permitir-se-á o aborto caso a gestação submeta a risco a vida ou a saúde da gestante – quando se sabe que toda gestação submete a vida ou, no mínimo, a saúde da gestante a risco.

A modificação mais polêmica – que, aliás, não tem causado polêmica alguma até o momento em que escrevo estas linhas – é a descriminalização do aborto praticado “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação, quando o médico constatar que a mulher não apresenta condições psicológicas de arcar com a maternidade” (art. 128, inciso IV, do projeto).

Se os ilustres juristas autores do projeto de reforma do Código Penal tivessem deliberadamente tentado traduzir o pensamento do escritor português – que registrei na epígrafe – para a redação dessa norma descriminalizadora dificilmente eles teriam conseguido melhor resultado.

Essa disposição ainda será debatida em alguns foros de discussão. No próximo dia 24 de fevereiro, sexta-feira depois do Carnaval, por exemplo, haverá no Tribunal de Justiça de São Paulo uma audiência pública sobre essa parte do projeto, na qual o uso da voz será permitido a quem se inscrever previamente através de um formulário virtual. Após a conclusão das demais etapas da redação da proposta da reforma, ela seguirá para o Congresso Nacional, onde deverá ser submetida à análise e à votação nas duas casas. O projeto de reforma do Código Penal é, na verdade, um projeto de lei federal que seguirá os trâmites ordinários de discussão e votação.

A abordagem que a comissão de reforma do Código Penal adotou para a descriminalização do aborto deve, ela mesma, ser reformada in totum – o que esperamos seja feito efetivamente pelo Congresso Nacional. Algumas consequências de sua adoção – que, por caridade, concedo, podem não ter ocorrido aos reformadores, embora sejam a intenção mesma das organizações abortistas – são as seguintes:

1) A vontade da gestante e a incapacidade psicológica para arcar com a maternidade – essa atestada por um médico – são duas das condições para que o aborto seja feito na legalidade; a terceira é a gestação ter atingido, no máximo, doze semanas. Com isso, abrir-se-á o campo para a atuação, no país, de instituições como a Planned Parenthood, que entre outras coisas adotarão campanhas de conscientização com populações de baixa renda, quando não pura e simplesmente com negros e desdentados.

No Brasil, essas organizações estarão livres para adotar em suas campanhas, caso o projeto seja aprovado como está, uma abordagem de convencimento da gestante, “entrevistas” em busca de saber se elas têm mesmo certeza de que desejam ter um filho; se, pensando bem, elas não acham melhor adotar a filosofia de vida saramaguiana segundo a qual é muita pretensão querer perpetuar a espécie humana; se elas não acham que a maternidade pode atrapalhar-lhes a vida profissional em um mundo tão competitivo – há no bizarro filme Fast Food Nation uma cena, com cores de altruísmo tosco, nesse sentido. A generalização dessa prática, em solo tupiniquim, dará ensejo às mais inimagináveis técnicas de manipulação das jovens de periferia – alvo preferencial das campanhas de controle de natalidade mundiais.

2) Os reformadores consideram que a falta de condições psicológicas é justificativa para a eliminação de uma vida – no caso, da vida de outrem. Essa disposição, por si só cruel e absurda, introduzirá um vírus dentro da legislação brasileira – que poderá, por exemplo, em tempos de ativismo judicial, permitir a relativização da vida dos loucos e dos que sofrem de depressão, ambos, por causas diversas e mais ou menos duradouras, incapazes de arcar com a própria vida. Além disso, se a mãe pode matar o seu filho ainda não nascido por não ter ela própria condições psicológicas para a maternidade, tenho fundado receio de que alguma teoria maluca queira doravante dar destino diverso a crianças e adolescentes que vivem com pais que não superem o ideal de sanidade psicológica do momento.

Se um médico pode autorizar a eliminação de uma vida humana em razão da falta de condições psicológicas de terceira pessoa, que autoridade ele não terá para modificar, com sua caneta corregedora, e após alguma modificação legislativa, a relação entre pais e filhos, empregadores e empregados – tudo em nome da saúde mental? Um cidadão com pretensões parecidas já foi retratado em nossa literatura: já deveríamos ter aprendido a lição.

3) Além de deixar o hospital sem o filho que carregava no ventre, a ex-mãe de lá sairá com um carimbo de incapacidade psicológica de arcar com a maternidade, colocado em sua fronte pelos burocratas da saúde. Qualquer médico – mesmo aqueles que visivelmente não possuem condições psicológicas para aferir condições psicológicas de outrem – terá a prerrogativa de passar esse atestado, e o fará com a rapidez de quem receita uma dipirona ou de quem aperta o gatilho de um revólver calibre 38.

Serão tempos sombrios, em que os gerentes do mundo – deste mundo – terão à disposição de sua retórica e da sua estratégia de morte milhões de jovens gestantes e milhões de vidas humanas.

Autor: Bruno Costa Magalhães

Link Original: http://www.midiasemmascara.org/artigos/aborto/12822-carnaval-saramago-e-a-reforma-do-codigo-penal-um-exercicio-imaginativo.html

O Problema do Mal/Paradoxo de Epicuro: o que ele realmente é e a visão de Brian Davies sobre o assunto

Posted by Snowball | Posted in Geral, Truques Neo-Ateístas | Posted on 11-03-2012

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Infelizmente, para os neo-ateus, já refutei no blog o Paradoxo de Epicuro/Problema do Mal (veja também Paradoxo de Epicuro/Problema do Mal – Parte II e Paradoxo de Epicuro/Problema do Mal – Parte III (algumas observações).

É claro que isso não me faz parar de ler sobre o assunto (o que seria um sinal de desleixo intelectual). Dessa forma, estive recentemente estudando (apenas numa primeira leitura) o livro “The Reality of God and the Problem of Evil”, escrito pelo filósofo Brian Davies (capa do livro acima), que me leva a fazer esse post.

Todo problema do mal começa com a análise do seguinte conjunto:

  • (1) Deus é todo poderoso;
  • (2) Deus tudo sabe;
  • (3) Deus é todo bom;
  • (4) O mal existe;

O conjunto acima não possui nenhum tipo de contradição – nenhuma das afirmações é a negação direta de outra, nem a sua conjunção gera alguma contradição. Para que a contradição apareça, seria necessário adicionar uma ou mais proposições ao conjunto. Como (suponho) já estamos acostumados e sabemos quais são, em tese, essas proposições (“Se Deus é isso, então ele aquilo”… etc etc), vou me poupar o trabalho de fazer toda aquela explicação novamente (se você ainda não sabe, leia os artigos citados no início do post).

O que ficou claro, para mim, ao ler o livro, foi algo que eu já havia notado, mas que talvez não tivesse exposto de forma adequada no blog: o problema do mal não é, por si, uma prova da veracidade do ateísmo. Ele apenas nos obrigaria, se correto, a negar a conjunção de uma das três primeiras afirmações com outras duas. Talvez Deus seja onisciente e onibenevolente, mas não seja onipotente; logo, o mal existe (e Deus também). Talvez Deus seja onipotente e onibenevolente, mas não onisciente; assim, o mal existe (e Deus também). Essa é a limitação máxima que o Paradoxo gera.

No fundo, o problema do mal apenas nos obriga a repensar como construimos (1), (2) e (3).

Os nossos amigos da Free Will Defense optaram por refletir sobre o conceito da onipotência. Eles afirmam (1), mas nos indicam que não é possível, mesmo para um ser onipotente, causar ações livres. Uma ação é, supostamente, livre se ela não é causada por nenhum agente externo. Assim como Deus não pode fazer um círculo quadrado, ele não pode causar uma ação incausada por outro, pois isso é uma impossibilidade. E a partir daí teríamos a justificativa para o mal (mais detalhes no primeiro artigo citado). No Teísmo Aberto, eles provavelmente reconstruiram todas as três primeiras afirmações, mas com foco na onisciência de Deus (ou seja, em ‘(2)’).

O diferencial do livro de Davies, se eu entendi corretamente, foi que ele reconstruiu ‘(3)’. A forma usual de interpretar a fórmula “Deus é todo bom” nos debates filosóficos de hoje é “Deus é moralmente bom [i.e., moralmente perfeito]”. A partir daí, os ateus reclamariam que estão descontestes com o cuidado de Deus do mundo; já os amigos de Deus se apressariam a negar isso e dar algumas desculpas morais para justificar o seu comportamento (essa frase e comparação é de criação dele, não minha).

A proposta de Davies é resgatar o que ele alega ser a concepção do teísmo clássico. Só poderíamos dizer que “Deus é moralmente bom” se ele fosse uma pessoa sujeita a certas leis e deveres morais que ele deve cumprir. Pelo padrão utilizado atualmente, dizer que Deus é uma pessoa seria dizer, alega o livro, que Deus é uma substância incorpórea [cartesiana], um ego, um ‘eu’, que conhece, raciociona, acredita a partir de seu “mundo privado”, assim como nós. A diferença de Deus estaria no fato de que ele não tem várias das nossas limitações em poder e conhecimento. Deus, então, observando tudo, teria que fazer uma escolha entre várias opções de ação. E seu diferencial em ser moralmente perfeito é que ele sempre toma a ação moralmente correta, o que faz ele digno de louvor moralmente.

Toda essa construção é considerada por Davies como absurda. Deus é o Criador, não uma criatura (de certa forma, ele tomou uma linha parecida com meu artigo Moralidade de Deus é julgada pela moralidade dada aos humanos. ). A idéia de uma substância incorpórea “privada”, diz o livro, já teria sido destruída por Wittgenstein e por Aristóteles. Se isso não pode se aplicar aos humanos, também não se aplicar a Deus. E mais: sendo o Criador, ele está radicalmente distante, em qualificação, das criaturas. Deus não é uma “pessoa sem corpo” com super-poderes e super-conhecimento, mas uma realidade infinita auto-subsistente incomparável com qualquer pessoa humana. Por fim, considerar que Deus tem obrigações morais significaria pensar que Ele tem uma vida correndo na qual ele vai decidindo e agindo e ele pode fazer isso de forma boa ou má. Mas Deus, como um Ato Puro, não tem nenhum tipo de potência não realizada. Isso implica que ele é imutável, incapaz de mudança e a atemporal. Isso torna Deus incapaz de ser um ‘agente moral’, que ‘consegue’ ou ‘não’ cumprir certos ‘deveres’ ou ter certas ‘virtudes’ ou ‘vícios’. “Ele é quem Ele é” (para utilizar uma expressão bíblica) e nada mais.

Isso faz de Deus um ser moralmente indiferente? Nas palavras de Davies (Appendix, pg. 251), sim, em certo sentido:

Em um sentido, eu, é claro, realmento penso que Deus é moralmente indiferente. Eu não penso em Deus como um centro de consciência (um “Eu” cartesiano) coexistindo temporalmente co outras coisas (como qualquer bom ser humano) ansioso para fazer a coisa certa em termos do que ele/ela deve agir. Nem penso em Deus como um ser literalmente comprometido emocionalmente e um combatente moralmente louvável contra o mal em todas as suas variedades. Como a fonte de todo bem criado, e como Bem sem qualificação, Deus não é temporal (e, portanto, não é ansioso literalmente por nada). Nem sequer pode estar sujeito à padrões de comportamento corretos pensados como obrigatórios para Ele. E uma vez que as paixões só pertencem à coisas temporais agindo em outras do mesmo tipo, Deus, eu mantenho, não está comprometido com nada. Nem está literalmente envolvido em nenhuma luta. Ele é o Criador de todas as coisas nos Céus e na Terra. Lutadores existem num contexto em que eles tem que tentar prevalecer sobre indivíduos que são, em um sentido relevante, seus “pares” (nota: no sentido de “iguais”, “comparáveis”). Pensar em Deus como um lutador dessa maneira, entretanto, é fazê-lo parte do mundo que ele criou. E isso é pensar nele de uma forma totalmente não-bíblica e em termos antropomórficos inaceitáveis, e não como aquilo responsável por existir qualquer mundo de indivíduos no fim das contas.

Mas então ele nega que “Deus é todo bom”? Não, de forma alguma. Ele simplesmente divorcia do sentido de ser bom moralmente. Parte da metafísica clássica está a noção de que o “bem” pode ser convertido com o “ser” (no jargão atual, eles diferem apenas em sentido, mas não em referência). Como Deus é o Puro Ato, a Realidade sem Nenhuma Potência Não Realizada, e algo só é na medida em que está em ato, algo que está totalmente em ato, dada a doutrina referida anteriormente, também é “totalmente bom” (penso, na verdade, que a melhor forma de colocar isso para um leigo seria dizer “totalmente perfeito”, um ser “sem nenhum tipo de deficiência”).

Você pode alegar que essa concepção diverge radicalmente da Bíblia e do Cristianismo, que nos ensina que “Deus é Amor”. O autor gasta boa parte do livro tentando demonstrar que não é esse o caso. Ele também gasta mais páginas falando sobre Deus ser moralmente indiferente em outros sentidos. Eu sequer estou aquilo para defendê-lo.

O que ficou claro nessa primeira leitura do livro é isso: ou nós temos certeza do que estamos falando com (1), (2) e (3) ou a discussão sobre o Problema do Mal é estéril.

De volta à ativa

Posted by Snowball | Posted in Uncategorized | Posted on 02-03-2012

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O blog andou fora do ar por alguns problemas de natureza editorial, técnica e financeira que obrigaram o seu fechamento temporário.

Infelizmente (para os neo-ateus), os problemas foram resolvidos e conseguimos colocar o blog no ar de volta.

Enfim, que todos fiquem cientes de uma coisa: o desmascaramento de argumentos continua.

Incomode a quem incomodar.

[OBS.: Publiquei dois novos posts, mas eles ficaram abaixo do recado de que o blog está de volta. Confiram aí]

Padre Paulo Ricardo: Marxismo Cultural e Revolução Cultural [Série Completa]

Posted by Snowball | Posted in Geral | Posted on 21-02-2012

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Meus Comentários

É verdade que essa série já havia sido postada por Luciano Ayan.

Mas, no duelo cultural, é melhor errar pelo excesso do que pela deficiência.

Se você ainda não viu essa série, faça isso AGORA MESMO.

Junior Masters dá um (merecido) tapa na cara de alguns cristãos

Posted by Snowball | Posted in Geral | Posted on 21-02-2012

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O mundo dos vlogs foi tomados por neo-ateus. Quem acompanha essa mídia sabe a situação lastimável que ela se encontra no que toca à filosofia da religião.

No meio de tanto besteira, ainda há alguns que se salvam, como o nosso conhecido Junior Masters. Ele é uma das poucas vozes que tenta uma análise mais adequada do fenômeno religioso e, em especial, do Cristianismo.

Enfim, recentemente, Junior entrou em uma polêmica com o vlogueiro ateu Yuri Grecco em um vídeo dividido em duas partes.

Na segunda parte (que vai linkada cá no blog, acima), por volta de 6:00min, Junior faz um discurso simplesmente ESSENCIAL e NA MOSCA sobre a atuação de alguns cristãos frente ao neo-ateísmo (se você ainda não viu, clique agora e veja).

Vamos aos fatos: a quantidade de estultices repetidas por neo-ateus, no contexto de debates, é simplesmente espantosa. Classificar a atuação deles como “lançamento de bobagens em ritmo industrial” seria até mesmo uma injustiça frente ao que vemos aí.

E, como diz o nosso blogger, “eles [neo-ateus] deviam ter vergonha de falar tanta besteira”. E por que isso ocorre? Por que eles falam tanto e saem com a conta limpa?

O diagnóstico do vídeo é preciso: pela OMISSÃO em expor a bobagem. Sua, minha, nossa. De todos que poderiam dizer algo e não fazem.

Os neo-ateus não tem vergonha nenhuma de sair em militância (aliás, o fato desse vídeo ter sido excluído do Youtube no canal do Junior por ter sido sinalizado em massa por “discurso de ódio”, pelo que fui informado, e ter sobrevivido só num canal paralelo é simplesmente sintomático da falta de dignidade dos neo-ateus).

O comportamento de muitos cristãos, omissos, é aquilo que considero como simplesmente vergonhoso.

Mas a vergonha é a mãe do aprendizado. E não há como dourar a pílula: ou reagimos agora (e aprendemos com nossos erros, tendo a vergonha e a humildade de reconhecê-los e a hombridade e coragem de seguir em frente) ou vamos assistir nossos irmãos sendo massacrados por espadas com a consistência intelectual de uma gelatina.

Refutá-los é fácil, só é preciso de tempo e paciência.

Quando alguém conhece a si mesmo, conhece o adversário, conhece o campo de debate (ou, se não conhece, tem plenas capacidades de conhecer) e mesmo assim perde de forma miserável, por simples inércia, faltam palavras adequadas para categorizar tal ato.

Na verdade, é até difícil imaginar algo mais vergonhoso do que isso.

E é exatamente o que estamos assistindo na nossa época.