Técnica: Nós Somos Fortes, Vocês são Fracos.

Posted by Snowball | Posted in Truques Neo-Ateístas | Posted on 19-08-2010

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Nessa técnica, o neoateu tenta aplicar um discurso de auto-ajuda que prega: “Nós somos os fortes realistas e vocês são fracos necessitados”. Parece ser um dos estratagemas mais populares e vemos uma utilização desse argumento no debate de Victor Stenger contra William Lane Craig, transcrito abaixo:

São Paulo disse:  “Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Desde que me tornei homem, eliminei as coisas de criança.” A humanidade já deixou a infância. Nós não precisamos mais depender de amigos imaginários para companhia ou de pai do céu mítico para nossas necessidades. Nós podemos cuidar de nós mesmos. Nós podemos achar modos de viver nossas vidas de forma consistente com o universo revelado pela ciência.

Link aqui: http://edthemanicstreetpreacher.wordpress.com/2009/12/20/craig-stenger-transcript/

Como podemos analisar, já tem um forte de cheio de self-selling, ignorância quando ao âmbito da ciência e outras fraudes intelecutais, conforme meu post de ontem. Só por isso já deveríamos ter sérios motivos para duvidar.

Logicamente, a versão também não se sustenta. Todo o discurso do autor neo-ateu se baseia-em:

  • (1) leitura mental
  • (2) falácia genética.

Primeiro, ele usa termos como “amigo imaginário”  e tenta atribuir a crença em Deus à necessidades das pessoas em companhia e etc. Mas como ele conseguiu essa informação? O único modo de se conseguir isso seria através da confissão escrita (ou similares) de todos os bilhões de teístas do planeta o que, imagino, Stenger não tenha. Logo, ele deve ter apelado para algum tipo de telepatia para descobrir esse dado, o que já derruba sua pretensão. E mesmo admitindo que (1) fosse verdadeiro, ainda assim não seria o suficiente para dizer que Deus não existe. Tentar invalidar um argumento pelo modo que se adquire ele, na Filosofia, é conhecida como Falácia Genética. Mesmo que todas as pessoas do mundo acreditassem em Deus só pelo desejo de “companhia” , ainda poderia ser o caso de Deus existir.

Imagine a seguinte situação: um sujeito é pego por traficantes que fugiram da cadeia recentemente e espancado por não querer comprar suas drogas. A partir daí, começa a fazer campanhas para os presídios se tornarem locais mais vigiados e não fugirem mais condenados. Antes disso, ele nunca tinha pensando em fazer campanhas pela segurança. Alguém chega e tenta refutar: “Ele só quer mais segurança nos presídios porque ele foi espancado por alguns presos fugitivos.”

Isso provaria que a segurança atual é suficiente e o que o sujeito estava errado?

Claro que não. O modo pelo qual se adquire a crença é irrelevante filosoficamente. Importa se os argumentos conferem.

Ao meu ver, o Falácia Genética é um dos recursos mais desonestos que podem ser usados numa discussão.

Outra forma muita aplicada é a frase de Carl Sagan: “não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências, baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar”. É simplesmente uma outra versão do estratagema feito acima. O próprio Olavo de Carvalho já havia desmontado de forma simples e objetiva tal técnica, no seu debate com Rodrigo Constantino. Publico aqui, para reflexão, as melhores partes:

O retrato depreciativo é complementado pela afirmação de Carl Sagan que divide os seres humanos em duas classes: os fracos, que “necessitam acreditar” e os fortes e durões, como ele próprio, que encaram a realidade. A finalidade do parágrafo é puramente intimidatória: quer fazer com que você já entre na leitura prevenido de que, se não concordar com Constantino, será um fracote desprezível, um bobalhão sugestionável. A citação de Sagan só impressiona pela pobreza do seu diagnóstico psicológico

A fé religiosa não é nenhum tranqüilizante para fracotes amedrontados. É um desafio temível, que implica, no mínimo, a disciplina do autoconhecimento através do exame de consciência. O advento do cristianismo trouxe um aprofundamento da autoconsciência humana ao ponto de gerar a idéia mesma do eu como unidade autônoma responsável, desprovida das garantias da mera conformidade grupal que bastava aos gregos e romanos como supremo teste da moralidade. A idéia do indivíduo solitário, responsável por suas próprias escolhas morais sem nenhum apoio externo, aparece prefigurada na vida de Sócrates e no teatro grego, mas não se impregna de maneira alguma na ética predominante, focada no “cidadão” enquanto membro do grupo e não na individualidade enquanto tal. Inumeráveis estudos, que tomam como material de referência as narrativas autobiográficas, assinalam essa diferença. As Confissões de Sto. Agostinho inauguram o gênero autobiográfico moderno porque nelas pela primeira vez um indivíduo faz o seu próprio julgamento moral não perante a comunidade de seus pares, mas perante sua própria consciência, balizada pelo confronto com o observador onisciente, Deus. Sem esse passo, a própria idéia da “independência de julgamento” teria permanecido em potência, sem efetivação histórica, e é claro que sem ela a pretensão mesma do “livre exame racional” seria inviável. (v. Karl Joachim Weintraub, The Value of the Individual. Self and Circumstance in Autrobiography, Chicago, The University of Chicago Press, 1978, reed. 1982.)

Não vejo o que possa haver de tranqüilizante e anestésico num jogo onde a maior possibilidade é a de que o jogador termine no inferno, já que “muitos são os chamados e poucos os escolhidos”. A profunda incerteza quanto ao destino eterno de cada qual está no cerne mesmo da vida cristã, e essa experiência é incompatível com a “necessidade de acreditar” da qual fala Carl Sagan. Os relatos de crentes famosos a esse respeito são tantos, mas os Sagans da vida não se dão o trabalho de lê-los: preferem adivinhar tudo de fora. Se lessem os depoimentos de Santa Teresa, Thomas Merton, Léon Bloy, Georges Bernanos, C. S. Lewis, Julien Green, Simone Weil – escolhidos a esmo entre milhares –, entenderiam claramente o óbvio: a fé como tranqüilizante para pessoas inseguras é apenas um slogan difamatório que não tem nada a ver com a realidade da vida cristã.

Link original para o artigo: http://www.olavodecarvalho.org/textos/homem_mim_2.html

(Visite também a comunidade de Olavo de Carvalho no orkut e veja seus comentários em vídeo no Youtube.)

No final das contas, não sobra muita coisa dessa besteira. É puro charlatanismo.

Conclusão

Se o neo-ateu tentar aplicar essa fraude, é só demonstrar o discurso de auto-ajuda e as falhas lógicas. Nesse sentido, paródias do tipo “O ateu não acredita em Deus por puro medo do inferno e também porque quer cometer imoralidades toleradas pela sociedade, mas não pelo cristianismo, sem ficar com peso na consciência” é um bom modo de fazê-lo acordar para a realidade e para a falha do argumento. Só um pouco de ceticismo já demole essa técnica.

***

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  1. http://lucianoayan.wordpress.com/2010/09/09/tecnica-ao-contrario-de-voce-nao-preciso-de-sua-crenca/

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Comments (37)

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Os mais fortes são os agnósticos.
E ponto.
(somos rechaçados por ambos, ateus e teistas)

Rsrs…Concordo plenamente…

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Parabéns pelos textos! Gostei bastante!

Além da leitura mental mencionada, o argumento da necessidade de conforto caracteriza a falácia da generalização apressada. Ocasionalmente eu me pergunto se há algum tipo de branco no sentimento espiritual como na amusia (http://www.youtube.com/watch?v=tPRW0wZ9NOM). Caso exista, devemos ser bastante tolerantes e compreensivos com esse tipo de pessoa.

Falando em generalização apressada, a maioria dos meus amigos ateus apresenta um comportamento peculiar: o medo exagerado de errar (principalmente em público). Por isso preferem escolher a ciência como sua bíblia de crenças supostamente irrefutáveis. O medo de errar, que talvez seja motivado por enorme necessidade de aprovação, provoca comportamentos colaterais limitantes, como a falta de confiança e a eterna necessidade de estar sempre certo.

Eu *acredito* que o pensamento crítico é necessário (mas não suficiente) para expansão da consciência e que isso conduz a humanidade para um caminho melhor. Promove o bem comum. No entanto, isso essencialmente independe da questão teísmo/ateísmo.

Acho, essencialmente, mais produtiva a discussão de atitudes e comportamentos, em vez de crenças.

Um grande abraço.

Não vejo qual a finalidade desse blog. Para mim, aparenta uma criança “buchuda”, como se fala aqui pela minha terra, que precisa de auto-afirmação. Outra “religião” chegou e “negou” o teísmo, então, a criança chorona precisa se reafirmar perante a sociedade, criticando mentes renomadas ateus ou não.

A questão de liberdade religiosa tem que avançar muito ainda. Está no mesmo caminho que a liberdade sexual. Conservadores, lê-se teístas, não aceitam o fato de uma “não existência de um ser onipotente” e precisam alfinetar os que simplesmente escolhem não acreditar nisso. Infelizmente, uma discussão religiosa não trazem frutos, não é a mesma coisa que discutir física, por exemplo.

No mais, concordo com um comentário que vi aqui: “Acho, mais produtiva a discussão de atitudes e comportamentos, em vez de crenças.”. Isso eu concordo plenamente. Sendo assim, as prisões estão cheias de cristãos.

Não vejo qual a finalidade desse blog.

http://quebrandoneoateismo.com.br/perguntas-frequentes/

Para mim, aparenta uma criança “buchuda”, como se fala aqui pela minha terra, que precisa de auto-afirmação. Outra “religião” chegou e “negou” o teísmo, então, a criança chorona precisa se reafirmar perante a sociedade, criticando mentes renomadas ateus ou não.

Sim, você acha isso. E daí? E eu com isso?

Isso é DIVULGAÇÃO DE OPINIÃO, não ARGUMENTAÇÃO…. Chore o quanto quiser. :D

A questão de liberdade religiosa tem que avançar muito ainda. Está no mesmo caminho que a liberdade sexual. Conservadores, lê-se teístas, não aceitam o fato de uma “não existência de um ser onipotente” e precisam alfinetar os que simplesmente escolhem não acreditar nisso.

Leitura mental e generalização tão cedo?

Da próxima vez, não aceitarei seus comentários se continuarem no mesmo padrão de FRAUDE INTELECTUAL e IRRACIONALIDADE… Está avisado.

Infelizmente, uma discussão religiosa não trazem frutos, não é a mesma coisa que discutir física, por exemplo.

De novo, argumentação zero. É só carimbaço seu.

Acha que não traz frutos? Então não leia. Os que acham que traz frutos continuam lendo. Difícil, não?

No mais, concordo com um comentário que vi aqui: “Acho, mais produtiva a discussão de atitudes e comportamentos, em vez de crenças.”. Isso eu concordo plenamente. Sendo assim, as prisões estão cheias de cristãos.

Correto. Assim como a maior parte da população é cristã. Mas o fato é que a maior parte desses cristãos QUEBROU o código moral cristão para ir para a cadeia. Ou seja, a culpa não é do Cristianismo.

Ou será que eles foram pegos amando demais o próximo? :D

?”O que mais me impressiona nos fracos é que eles precisam humilhar os outros para se sentirem fortes.” (Gandhi)

Então ´´Ze“ os Ateus do Bule e C&A devem ser fraquissimos.

Proibir zombarias em debate é quase o mesmo que transformar Neo-Ateismo em crime.

A questão não é nem de perto o que Dawkins,Sagan,Dennet,entre outros pensam e dizem,a questão é o que levou o sujeito em questão a se tornar ateu,e o que o fez optar pelo humanismo/neo ateísmo.Eu particularmente cheguei a conclusão de que não há deus nenhum de acordo com a minha experiência.E o método que vocês usam aqui,na maioria é covarde.Motivo:vocês catalogam os erros e as falácias dos neo ateus como se se eles não fossem humanos,que naturalemente cometem erros,que naturalmente não tem respostas pra tudo.
Apresentem argumentos pessoais,não pseudo refutações de livros e documentos ateístas,pois não foram estes que nos tornaram ateus.

A questão não é nem de perto o que Dawkins,Sagan,Dennet,entre outros pensam e dizem,a questão é o que levou o sujeito em questão a se tornar ateu,e o que o fez optar pelo humanismo/neo ateísmo

Exato, e a opção pode ter surgido por leitura de Dawkins, Sagan, Dennett e toda turmalha. Então refuto o sujeito refutando eles por tabela.

Eu particularmente cheguei a conclusão de que não há deus nenhum de acordo com a minha experiência

E eu com isso?

.E o método que vocês usam aqui,na maioria é covarde.Motivo:vocês catalogam os erros e as falácias dos neo ateus como se se eles não fossem humanos,que naturalemente cometem erros,que naturalmente não tem respostas pra tudo.

Não há covardia. Na verdade, o que faço aqui é um ato de CARIDADE. Eu explico passo por passo para os neo-ateus os erros deles, possibilitando que se tornem mais maduros intelectualmente.

Apresentem argumentos pessoais,não pseudo refutações de livros e documentos ateístas,pois não foram estes que nos tornaram ateus.

A refutação é para os argumentos mais comuns usados por neo-ateus. É impossível cuidar de cada um individualmente. Só podemos descobrir o PADRÃO de pensamento neo-ateu, o mapeando e denunciando, da mesma maneira que fazemos com hackers.

E observem que ele usa a técnica “Representante do Ateísmo”, falando no plural, como se fosse um líder ateu: http://quebrandoneoateismo.com.br/2010/09/08/tecnica-representante-do-ateismo/

Ou seja, ele MESMO se condena. :D

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