O dia em que nossa campanha virou um #TT do Twitter!
Posted by Snowball | Posted in Geral | Posted on 26-02-2011
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Os leitores desse blog devem estar lembrados do post onde eu e o Paulo (do Teismo.net) lançamos uma campanha com banners de cientistas famosos para lembrar que ciência não é contra religião (veja aqui).
Pois bem. Essa matéria se espalhou pela internet, como esperado – vários blogs divulgaram e também pessoas em redes sociais deram espaço para a manifestação. Isso acabou chegando em Michelson Borges, do site Criacionismo. (*)
E Michelson fez uma versão própria da campanha – mudando para “Religião não é contra Ciência” (conforme explicou em seu site). Aí vão algumas imagens. Vocês irão reconhecer de imediato a semelhança com o nosso modelo – embora esse novo esteja, em termos técnicos, mais “profissional”:
A partir desses banners, foi lançada uma campanha no Twitter para twittar a tag #religiaoeciencia. E ela iria falhar? Nada disso. No fim do dia de ontem, milhares de pessoas pelo Brasil inteiro começaram a discutir o assunto a ponto de chegar entre os mais citados de todo site, marcando presença nos Trending Topics.
E tudo isso iniciou como?
Com um simples dia em que eu e o Paulo paramos, sentamos e gastamos algumas horas planejando a campanha original. Aquelas meras horas deram início a um movimento por todo Brasil, envolvendo pessoas que sequer imaginamos que existiam, para comentar sobre ciência e religião.
Esse é o poder da cultura. Quando você menos imagina, seu pequeno ato ganha proporções gigantescas. E é por isso que esse trabalho de divulgação é importante e deve ser realizado com frequência.
Mas nem tudo são flores…
Como bem notou @diogokaike, enquanto alguns comentavam, outros tantos simplesmente passaram a utilizar técnicas típicas do discurso do neo-ateísmo para fazer propaganda anti-religiosa. Claro que isso era esperado, principalmente na internet, que é composta por jovens (que tem maior propensão a fazer escárnio da religião e, por tabela, aderir ao neo-ateísmo).
Podemos identificar alguns dos estratagemas. Primeiro exemplo é o da usuária PequenaCelia:
Basicamente, foi utilizada a artimanha da hiper-simplificação. Funciona dessa maneira: você pega uma idéia qualquer, reduz ela o máximo possível e usa termos absurdos para ridicularizá-la. A partir disso, conclui-se que a idéia original só poderia ser besteira.
Uma aplicação: “Pequenos pedaços de matéria, que surgiram por nada, pelo nada e para o nada, vivem sobre uma bolota de monte de água gigante que surgiu ao acaso e fica girando sem nenhum motivo e sem parar ao redor de um enorme bola de fogo que está suspensa no meio do nada. Claro, isso faz todo sentido”. Traduzindo: “Seres humanos vivem na Terra que é atraída pelo Sol.” Fica claro que se trata de uma maneira erística de se referir ao fato.
E a PequenaCelia erra ao dizer que Deus é um ser “mágico” que “veio do nada” (pois o teísmo clássico não diz que Deus teve um início, muito menos um início ex nihilo; que é justamente o que alguns defendem para o Universo) e depois aplica a técnica “Deus te ama… Mas vai te mandar para o Inferno!” (ver Desenganando várias pegadinhas do neo-ateísmo) além de especular na área comentada no artigo “A “Descrença” é Culpável?”. Facilmente refutável após identificarmos o modus operandi.
Já a “ateiadebomhumor” utiliza um slogan de Carl Sagan:
Essa é a estratégia “Quando seu filho está com pneumonia, você pode levá-lo ao médico ou pode ficar em casa rezando” (Por que deveríamos utilizar ateus para estudar e criar um guia de falácias). É uma falsa dicotomia claríssima (ainda mais quando estamos falando em uma tag que diz “religião E ciência”): eu posso levar o meu filho ao médico E rezar concomitantemente. Aliás, essa deve ser a atitude mais comum entre os pais religiosos. Fazer o tratamento médico e, ao mesmo tempo, principalmente em casos graves, fazer preces a Deus para que tudo ocorra da melhor maneira. Não há nada de “ou” e “ou”. Não se trata de um dilema verdadeiro, pois há mais uma saída que não foi posta na mesa na frase original.
Mais adiante, “GuegoNavarro” apela para um utilitarismo:
O sistema religioso é um martelo para ter que servir para alguma utilidade imediata como prevenção à AIDS (embora, ironicamente, o comportamento religioso possa servir para evitar AIDS mais facilmente)? O teste da paródia torna essa frase facilmente espinafrável: “Se eu não for ATEU e acreditar em Deus, serei infeliz? Vou pegar AIDS?”.
Talvez a reclamação volte: “Mas isso demonstra exatamente o proposto: que a crença em Deus não faz diferença na nosso bem-estar”. Mas o foco unicamente no bem-estar só importa se o MATERIALISMO for verdadeiro – que é justamente o caso de Deus não existir. Perguntar “Para que serve a crença em Deus?” é uma petição de princípio, pois já nega que Deus exista na medida em que essa pergunta tenha validade dentro do molde proposto. O fato é que a questão da existência de Deus é de extrema importância para a existência humana, pois define o propósito de toda a existência universal. Grandes filosófos, mesmos ateus como Sartre e Nietzsche, tinham consciência da importância dessa discussão (para maiores detalhes desse assunto ver o debate de Craig e Dawkins e meu post Sobre felicidade e sentido da vida).
Depois, “ateudadepressao” (observem no seu avatar a capa do “God Delusion” – clique no link ao lado para comparar) continua o festival de insucessos:
Ele utiliza de intimidação e rotula de cara a crença religiosa – exatamente como Dawkins e cia. fazem. Mas uma coisa, ironicamente, ele está certo: a Ciência não valida a existência de Deus. Esse seria um erro de categoria. E, DA MESMA FORMA, a ciência NÃO valida o ateísmo. Portanto, alguém que falar que é ateu porque adere “ao conhecimento científico” é simplesmente IRRACIONAL (“Ou é Ciência, ou é Religião”). E nunca vimos um ateu usando essa retórica, não é verdade? No fim, utiliza o truque do Amigo Imaginário. Patético.
Em frente, “smokebitch_” não é muito original e usa mais um slogan:
Tal frase apenas foi copiada da série “House”. Trata-se apenas de um self-selling abusivo (5 modos rápidos de se identificar uma fraude intelectual) de uma pessoa que, para dizer uma besteira dessas, não conhece nada de filosofia da religião. Será que “Smoke Bitch” já leu algum tratado sobre a existência de Deus? Será que Smoke Bitch é especialista em Richard Swinbunre ou conhece a epistemologia de Alvin Plantinga? É tão fácil assim desprezar a religião? Será que ela derrota todos os filósofos teístas tão facilmente quando sua mensagem parece indicar? Certo, certo…. Vou acreditar que sim.
Fui ver agora no Twitter e, ao contrário do que eu esperava (de novo) a tag continuava sendo comentada! E o discurso neo-ateu continuava lá da mesma forma. Por exemplo:
“yssa_Castro” e “JoaoGlessa” utilizam um tipo de “ad novitatem” (“É triste em pleno séc. XXI alguém usar argumentos neo-ateus”!”), juntamente com a técnica “Religião foi inventada para dominação social”. Lógica zero…
Mais um:
Aqui, é utilizado o mesmo “Por que não o Monstro do Espaguete Voador?”, na versão “URI”. O que normalmente as pessoas dizem é essa percepção dá a idéia de um agente inteligente (e, portanto, pessoal) que seja superior à natureza (e daí vem várias outras características). E isso é o que, em média, se entende pela palavra “Deus”. Se o URI tiver as mesmas características de Deus, então são o mesmo ser. Ou seja, ele somente deu um nome imbecil a MESMA entidade, o que não é refutação. Nesse caso, é “#IroniaOFF”…
Esse aqui tem menos vergonha e cita Dawkins diretamente:
Vindo de Dawkins, não poderiamos esperar muita coisa. É uma reedição da técnica “Ciência permite discussão, religião não” (mentira, pois há muita polêmica e discussão dentro da religião; e vários cientistas religiosos BUSCAM entender o mundo; isso é uma característca da pessoa, não da religiosidade) e “Transformando a Ciência e a Religião em Entes Personalizados” (para em seguida adjetivá-los positivamente e negativamente), além de uma “Crítica sociológica a religião”. Como sempre, falha total.
Conclusão
Essa história mostra a importância da divulgação, além de também ter sido útil para identificarmos o discurso neo-ateu. Enfim, é continuar as refutações. O poder da informação pode criar uma discussão nacional a partir de poucas horas dedicadas a uma atividade – e esse não é o limite. Lembre-se: “Só idéias vencem idéias”. E vencer o neo-ateísmo é muito fácil. Basta começar.
(*) Lembrando que esse site não apóia o criacionismo literal. Independentemente disso, campanhas como essas são importantes para para mostrar que ser religioso não exclui automaticamente a pesquisa científica como demonstra a citação desses cientistas e já que se tratam de campos epistêmicos diferentes.








Muito bom mesmo!
Isso prova duas coisas: O poder da propaganda e o veneno que Dawkins e cia são para o pensamento racional.
As pessoas nem percebem, mas estão fazendo o mesmo que os religiosos fundamentalistas, com destaque ao usuário que simplesmente citou a frase de Dawkins como um tipo de autoridade – CLARAMENTE um Ad Verecundiam, da forma mais discarada e inocente – inocente porque o indivíduio nem deve saber o que é um argumento da autoridade.
Fazia tempo que eu não entrava no twitter, vou entrar agora pra comentar isto.
Deus abençoe!
Parabéns pelo GRANDE sucesso da campanha
Ressaltando apenas, para os “mais otimistas”, que o objetivo essencial da campanha é não o “des-neo-ateizar” os neo-ateus
, e sim evitar que mais pessoas caiam na armadilha do ateísmo massificado. Conforme o Luciano já mostrou num dos posts mais antigos do blog dêle, o neo-ateísmo É um distúrbio mental, cujas chances de cura *não são* muito animadoras — de modo que…
prevenir continua sendo o melhor remédio.
P.S.: Para o tal de “Ateu da Depressão”, informo apenas que…
nem a Ciência e nem o ateísmo apóiam a ignorância, a mentira, as falácias, os sofismas, ou a má-fé — coisas nas quais os pseudo-ateus modernosos são mestres
.
JMK.
Hehehehehe… MUITO BOM, SNOW! E essa frase de Dawkins, reproduzida pelo Werner Lucas, deveria ser classificada como self-selling também. É apenas slogan de neoateu metido e focado no utilitário. Se ele se satisfaz em conhecer o mundo e alega que a religião não, isso é apenas uma projeção dele na religião e nada evidencia objetiva e suficientemente. Daria para espinafrar também o slogan dele.
Obrigado pelos elogios, pessoal! Fico feliz com a repercussão. Abraços!
Campanha tá prosperando. Acho que o povo precisava estar conciente dessa questão. Só os ateus se pronunciavam sobre ciência, tava na hora mesmo de os crentes se pronunciarem o seu lado e reinvindicar sua participação no conhecimento humano.
Ciência não pode andar separada da religião nunca. É isso que os neo-ateus querem, ficar com a autoridade só pra eles, sendo que não foi o ateísmo que construiu a ciência, foi a genialidade de muitos homens que colocaram o objetivo de entender o universo, e não o objetivo de provar que Deus não existe.
E nisso, todo crente têm pretensão de entender o universo pra saber o que Deus fez.
Exato o comentário do Aforista. Também tenho comentado por aí sobre essa “apropriação indébita” que os neo-ateístas fazem da ciência. Como se todos os cientistas fossem ateus, ou todos os ateus, cientistas… Tentam empurrar a identificação forçada entre ciência e ateísmo, como se fossem a mesma coisa, ou um conseqüência necessária do outro. E, junto com isso, vem todo o discurso ideológico safado contra a religião como “inimiga” da ciência (e da humanidade), como vocês têm muito bem observado e denunciado.
PS: Post sobre o tuitaço promovido pelo Michelson Borges e baseado na campanha do snowball e do teismo.net:
Desmentindo os dogmas neo-ateístas: Religião não é contra a ciência. Tuitaço #religiaoeciencia 25/2/2011
http://liberdadeexpressao.wordpress.com/2011/02/25/desmentindo-os-dogmas-neo-ateistas-religiao-nao-e-contra-a-ciencia-tuitaco-religiaoeciencia-2522011
Por sinal, a discussão continua lá no Twitter, com a tag se mantendo em primeiro lugar nos Trending Topics (TT).
Você sabe se tem como conferir o número de mensagens com essa tag? Seria interessante. Abraços!
Gostei dos cartazes das campanhas, problema que o cunho “criacionista” fica muito na telha.
Otima notiçia, parabens
desculpa os erros de digitaçao o teclado ta ruim!!!!!!!!!
Não seja por isso. Muito obrigado pelas palavras! Grande abraço!
Antes de mais nada, acho essencial que um diálogo entre a percepção científica e a percepção religiosa do mundo esteja continuando.
Na minha opinião, o problema principal deste debate é que não se sabe diferenciar – em ambos os lados da trincheira.
Até um certo ponto, a critica de Dawkins faz sentido. Até concordo com algumas passagens.
Em geral: Não sou ateu, mas entendo as “teses” dele como um desafio para “verificar” aquilo do que estou convencido. Deste ponto de vista, a leitura da “God Delusion” pode até ser divertido. Na ha como negar que o cara tem um certo humor … Por isso, é até recomendável de ler este panfleto mais que uma vez pois ajuda a refletir melhor e desvendar os verdadeiros furos na argumentação dele.
Não entendi direito seu ponto. Mas se for a idéia de que Dawkins é útil apenas para estudar erística, terei que concordar.
Não se trata somente de eristica. Meu ponto é que nem todos os argumentos de Dawkins estejam sem substäncia.
Bom, é impossível estar errado 100% das vezes, mas não vi muita coisa que sobrasse do livro.
Concordo.
Aliás, não quero bancar o “advocatus diaboli”, mas o que sobraria, na sua opinião?
Bem, Dawkins admite que o Fine Tuning existe. E também diz que a explicação de necessidade física não é muito boa. Nisso concordo com ele, por exemplo, entre poucas coisas até onde lembro.
caraca virei virei fã desse site,eu sou catolico e sempre acreditei em Deus,sempre,logo que conheci os taeus eles me vinheram com esse papo pra cima de mim mais de pois de ohar pras condiçoes do nosso planeta a chance de um criador é maior ainda,odeio quanto tratam pessoas que acreditam em Deus como pessoas ignorantes e misticas,e os ateus logo viram os homens da ciência,uma vez em uma enquete no yahoo,a pessoas disse que tinham achado fosseis de um possivel homo sapiens de 400 mil anos pelo menos o dobro do descoberto no da africa,olha o que ateu responde:eu duvido que isso seja verdade,inda mais sendo de israel!e logo associo essa idéia aos relatos biblicos que se passaram naquela região,as vezes acho que eles estão mais dessesperados para provar aquilo que eles querem,do que muitos religiõsos,eu visito um site frequetimente do Michelson Borges se chama digitais do criador fala a parte que eu mais acho intereçante que é sobre a arqueologia,parabens pelo site,conheci hpje e estou admirido
abraços
Snow, não se assuste, mas vai gostar disso:
http://flaviomorgen.blogspot.com/2011/02/quando-religiao-ate-que-nao-erra-tanto.html
hahah
Putz, o pior é que tive uma minidiscussão com esse coitado no Twitter… O cara não conseguiu sequer assimilar o nome correto do blog – para não falar nas abobrinhas de sempre. Como sempre, não sei se fico triste por tamanha incapacidade ou feliz por ela estar justamente naqueles que se opõem a nós.
Acabei de dar uma bizoiada na página que você indicou. Infelizmente, o tal sujeito É um cientificista, que também gosta de usar “vocabulário difícil” sem que haja real necessidade do mesmo ¬¬ Posso estar enganado, mas ele tem “cheiro” de parente (ou de amiguinho) do Azathoth Dória, o qual por sua vez é um dos chefes do “Religião é Veneno”, e se considera o « ateu mais científico do Brasil »
Olá, Snow.
Fico feliz pelo alcance da nossa campanha.
O post ficou ótimo.
OBS: estou um tanto ocupado pelas aulas, mas atualizo os comentários todos os dias, e os posts semanalmente.
Grande Abraço,
Paulo
Por nada não, mas o ateudadepressao é um perfil cuja finalidade é humorística. Refutá-lo não faria com que alguns ateus (que riem de si mesmos graças a ele) definitivamente não levem a sério sua campanha?
Olá, Feebrus. Pode até ser que o perfil em questão tenha foco humorístico. Mas eu defendo a idéia de que muitas difamações são DISFARÇADAS de charges e elementos humorísticos, passando idéias erradas, necessitando ser rebatidas da mesma forma. Pois algo humoristico também apresenta uma idéia – apesar de eu não ter visto nenhum humor específico nesse twitt e sim um ataque direto. Abraços.
Paz Snow.
Sobre oque vc acabou de postar o Luciano fez um topico falando justamente disso, da uma olhada.
http://lucianoayan.com.br/2010/05/08/tecnica-deixe-de-ser-mau-humorado/
Muito bem lembrado, Adim. Obrigado!
Paulo e Snow, parabéns pelo resultado da iniciativa. Vi no outro dia um texto no Bule Voador sobre a ciência e o ateísmo, e a coisa ( como se diz na minha terra), já fiava mais fino…
Acho que começam a aparecera alguns resultados timidos, os “vossos” neo-ateus” começam a não ter espaço para mentir sobre religião e ciência. Há que popularizar mais a verdade sobre esses temas.
Que tal fazerem o mesmo a propósito do aborto, atacando antes de ser preciso defenderem-se da legalização da matança também no Brasil?
Já agora, conhecem algum editor de imagens online ( melhor do que o paint)? Estou a pensar em tentar uma campanha do género a propósito do aborto em Portugal.
Obrigado e cumprimentos
Vi o texto. Só não gostei dos três argumentos para “fortalecer o ateísmo” (ou coisa assim) do Eli Vieira.
Sobre o editor, uso o Photoshop. Aqui uma montagem simples sobre aborto que fiz por lá: http://quebrandoneoateismo.com.br/2010/10/20/opiniao-de-ives-gandra-o-aborto-e-constitucional/
Grande abraço, Jairo!
Esclarecendo
1. Em geral, os chamados Pais (principalmente os de Alexandria, seguindo a tradição judaica de Filo) interpretavam a Bíblia de forma extremamente alegórica. Via de regra, mesmo os maiores defensores de interpretação alegórica da atualidade acham que muitos dos Pais exageravam. Tem um pastor, amigo meu, que certamente é pouco litaralista, mas que diz que “os Pais viajavam na maionese”.
2. A escola judaica de Filo não exerceu muito influência no judaísmo pós-exilico, e a ortodoxia rabínica atual (que descende do rabino Akiva) é muito mais literalista, ao mesmo tempo que estuda também os níveis não literais do texto (cinco níveis, do mais textual ao mais espiritual). De passagem, o judaismo pós-exílico fundiu a tradição de Hilel (com quem Jesus concordava na maioria das vezes) com a tradição de Shamai (que era bem mais aceito pelos rabinos do 1º século, na Judéia, não necessáriamente em outros lugares), Disso resulta que o judaismo atual é mais próximo do ensino cristão, no que concerna à ética, do que foi no primeiro século. Quanto ao judaísmo caraíta não conheço nada de suas técnicas de interpretação, embora eu tenha muita consideração pelos caraítas que é uma tradição tão antiga quanto a de Akiva, embora muito menor numéricamente.
3. Os interpretes cristãos posteriosres aos pais foram, EM GERAL, menos alegoristas que eles. Por alegorista quero dizer aquele que vê alegoria no sentido FUNDAMENTAL do texto. Tanto entre judeus quanto entre cristãos, mesmo os mais literalistas acreditam também na existencia de outros níveis de interpretação, mais alegóricos.
4. Não conheço nada da história da interpreção bíblica nas Igrejas Ortodoxas, em tempos mais recentes, por negligência minha.
5. Gerlamente os reformados eram mais literalistas que os católicos (uma tendencia geral, não vale ficar catando contra-exemplos). O método histórico-gramatical, bastante literalista, foi o mais usado entre os protestantes ao longo de sua história, até o advento do liberalismo. E é o método mais considerado entre os tradicionais. Segundo o método histórico-gramatical, só quando as características internas do texto recomendam, é que se pode interpretar o seu sentido como alegórico (bem entendido, o primeiro sentido, é claro que poderão ser encontrados outros sentidos mais profundos).
6. As interpretações “liberais” tanto entre católicos como entre protestantes são baseadas no método histórico-crítico. Sofreram bastante pelo fato de serem desacreditadas pela arqueologia.
7. A neo-ortodoxia, que afetou tanto protestantes como católicos, é essencialmente intimista. Não que outras formas teológicas não tivessem esse aspecto, mas na neo-ortodoxia esse é o aspecto dominante.
Um pequeno apanhado histórico mostra que, no judaísmo, a época de ouro do alegorismo se deu antes do segundo século e no cristianismo, do segundo ao quarto séculos.
A maioria dos ateus não estuda história, e sai dizendo baboseiras “de ouvido”.
PS: o que falei sobre métodos de interpretação se refere a estudiosos, não a semi-analfabetos.
[...] Os leitores do blog devem estar lembrados da Campanha: Ciência não é contra religião! , realizada junto com nosso parceiro Teismo.net, que eventualmente virou até mesmo um #TT por vários dias no Twitter! (v. O dia em que nossa campanha virou um #TT do Twitter!) [...]